«Se não me engano, quarta-feira. Foi, sim, quarta-feira, escrevi sobre as “épocas débis mentais”. Ao chamá-las assim não insinuei, é claro, nenhuma novidade, não fiz nenhuma descoberta. As épocas são mais inteligentes ou menos inteligentes, mais nobres ou menos nobres, românticas ou cínicas, suicidas ou homicidas, perversas ou heróicas etc.etc.
Concluía eu, na minha “Confissão”, que nos
coube por fatalidade uma das “épocas débis mentais”, e das mais
espantosas da história. Há uma debilidade mental difusa, volatizada,
atmosférica. Nós a respiramos. Isso aqui e em todos os idiomas. É um
fenômeno internacional tão nítido, tão profundo, que não cabe nenhuma
dúvida, não cabe nenhum sofisma.
E acontece, então, esta coisa nunca vista: -
todos agem e reagem como imbecis. Não que o sejam, absolutamente. Muitos
são inteligentes, sábios, clarividentes; e têm um nobilíssimo caráter, e
uma fina sensibilidade, e uma alma de superior qualidade. Mas num mundo
de débis mentais, temos de imitá-los. Não sei se me entendem. Mas, para
viver, para sobreviver, para coexistir com os demais, o sujeito precisa
ir ao fundo do quintal. E lá enterrar todo o seu íntimo tesouro.»